A China começa a cobrar, a partir desta quinta-feira (1º), uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual de importação estabelecida pelo país asiático.
A medida entra em vigor depois que o Brasil atingiu, na terça-feira (29), o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. A confirmação foi feita pelo Ministério do Comércio da China nesta quarta-feira (30).
Pelas regras da salvaguarda comercial, a sobretaxa será aplicada aos volumes que excederem a cota. Na prática, os 55% serão somados à tarifa de importação já cobrada sobre a carne brasileira.
A mudança pode encarecer os embarques adicionais e dificultar a entrada do produto brasileiro no principal mercado externo da carne bovina do país.
O limite chinês vinha sendo consumido ao longo do ano. Em maio, o Brasil já havia utilizado metade da cota. O percentual chegou a 80% em 21 de julho e a 90% em 10 de agosto.
Impacto no mercado brasileiro
Com a carne que exceder a cota ficando mais cara para entrar na China, frigoríficos terão de buscar outros destinos para parte da produção.
Se o volume não for absorvido por outros mercados, uma parcela maior poderá permanecer no Brasil, aumentando a oferta interna e pressionando os preços da carne bovina.
O comportamento dos preços, no entanto, também dependerá de fatores como custo do gado, câmbio, demanda interna e capacidade dos frigoríficos de redirecionar as exportações.
Brasil busca alternativas
O governo brasileiro e o setor frigorífico já procuram alternativas para reduzir os efeitos da restrição chinesa.
Uma das possibilidades envolve cerca de 80 mil toneladas que sobraram da cota destinada ao Uruguai em 2026. O país autorizou o Brasil a utilizar parte desse saldo, mas a medida ainda depende da aprovação das autoridades chinesas.
Sem o aval de Pequim, esse volume adicional também ficará sujeito à tarifa de 55%.
Para 2027, a China prevê uma ampliação da cota brasileira para 1,128 milhão de toneladas. O setor avalia estratégias para distribuir melhor os embarques ao longo do ano e evitar que o limite seja atingido novamente antes de dezembro.
Exportações para a Ásia recuam
Os efeitos da restrição já aparecem nos números de comércio exterior. Em agosto, os embarques brasileiros de carne bovina para a Ásia caíram 19,2% em volume na comparação com o mesmo mês de 2025. Em valor, a queda foi de 10,9%.
Apesar do recuo em agosto, o acumulado de janeiro a agosto ainda registra alta de 3,3% no volume exportado e de 15% na receita.


























