O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), declarou apoio à Medida Provisória que determina o fim das apostas de quota fixa no Brasil, as chamadas bets. Apesar de concordar com a decisão do governo federal, Pivetta criticou o tempo levado para a adoção da medida e afirmou que sempre foi contrário à atividade.
Em entrevista após o debate realizado pela TV Centro América, Pivetta classificou as apostas online como um problema social e criticou a participação de celebridades e atletas na divulgação das plataformas.
“Eu sou favorável ao fim dessa jogatina, ao fim dessa desgraça que vicia as nossas crianças, nossos jovens”, afirmou o governador. Na sequência, também questionou a atuação de artistas e jogadores de futebol em campanhas publicitárias das empresas do setor.
A posição de Pivetta ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editar, em 25 de setembro, a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online.
A MP já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para que as novas regras tenham caráter permanente. O texto prevê o encerramento das operações autorizadas e estabelece medidas para a retirada das plataformas e a devolução de valores aos apostadores.
Ao comentar a decisão, Pivetta afirmou que a iniciativa deveria ter sido tomada anteriormente. “Eu sempre fui contra isso. O presidente acordou. Eu acho que fez certo. Acho que veio tarde. Já poderia ter tomado essa medida antes. Mas antes tarde do que nunca”, declarou.
O governador também relacionou o avanço das apostas ao endividamento das famílias. Segundo ele, parte da renda que antes era destinada à compra de alimentos e outros produtos básicos estaria sendo direcionada aos jogos.
“Aumentou muito. Não se sabe exatamente quanto. Mas as estimativas são absurdas. O povo está muito endividado”, afirmou. Pivetta acrescentou que estudos já teriam identificado redução no consumo de bens básicos em razão da destinação de recursos para apostas.
A medida federal prevê ainda a retirada de publicidade e patrocínios relacionados às bets durante o período de encerramento das operações. A discussão sobre a continuidade da proibição, no entanto, dependerá da análise do Congresso Nacional.
Pivetta afirmou esperar que deputados e senadores mantenham a decisão adotada pelo governo federal. “Eu não vejo outra solução. Já era para ter parado com isso muito antes”, concluiu.
























