Governo do Estado, Ministério Público, Tribunal de Contas e Prefeitura de Várzea Grande assinaram nesta quarta-feira (22) um Termo de Ajustamento de Conduta para tentar resolver o desabastecimento de água no município. O nome é bonito: Aliança pela Água. O valor também impressiona: até R$ 60 milhões do Estado para reestruturar o DAE. Tem comitê executivo, tem prazo de 12 meses, tem discurso de todo mundo sobre prioridade histórica.
E aí fica a pergunta que devia estar na boca de qualquer várzea-grandense que abre a torneira e não vê água cair: por que agora?
Porque, segundo o próprio governo, esse problema não é de agora, é histórico. Existe há décadas, nas palavras do próprio governador. O Tribunal de Contas já sabia da insolvência do DAE. O desabastecimento crônico não é novidade para ninguém que mora na cidade. Então o que mudou entre o ano passado, quando ninguém assinava TAC nenhum, e esta quarta-feira, bem no meio de uma pré-campanha eleitoral, quando de repente aparece verba e cerimônia com deputado, secretário, procurador-geral e vereador?
Quem acompanha Várzea Grande de perto já sabe responder: não é a primeira vez que uma solução “aparece” bem na hora certa.
Lembra do VLT? Foi anunciado como a virada definitiva da mobilidade na Grande Cuiabá. E o que sobrou? Estrutura parada, obra inacabada, população enfrentando o mesmo trânsito de sempre e pagando a conta de um projeto que nunca saiu do papel por completo.
E o BRT? Foi anunciado para substituir o VLT, a solução que viria corrigir o erro anterior. Cinco anos depois, nada foi entregue. E agora querem que a população acredite que o DAE vai resolver, justamente no ano de eleição, um problema que também é histórico?
Não custa perguntar: o comitê executivo vai realmente fiscalizar a execução da obra, ou vai ser só mais um nome bonito em ata de reunião? Os R$ 60 milhões vão virar cano novo e estação de tratamento funcionando, ou vão virar mais um capítulo de outdoor eleitoral, com foto de autoridade sorrindo perto de uma torneira?
Várzea Grande merece água na torneira. A pergunta fica no ar, e é o eleitor quem vai ter que respondê-la em outubro: essa é a solução de verdade, ou é só mais um TAC de campanha?
























