O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, afirmou que vem alertando a população e a administração municipal, desde o início de 2026, sobre o risco de uma grave crise financeira no município.
Segundo o parlamentar, diversas entrevistas concedidas ao longo do ano trouxeram advertências sobre o comprometimento do orçamento da Prefeitura de Várzea Grande, em razão de adesões de atas, gastos elevados e da ausência de um controle financeiro mais rigoroso por parte da gestão municipal.
“Desde o começo do ano venho alertando que Várzea Grande poderia enfrentar uma situação muito difícil até o final de 2026. Como contador e auditor público, acompanho os números do município e sempre manifestei preocupação com o rumo das contas públicas”, declarou Wanderley Cerqueira.
Declaração de calamidade financeira
A manifestação do presidente ocorre após a prefeita Flávia Moretti publicar o Decreto nº 68/2026, que declarou situação de calamidade financeira e fiscal por 180 dias e estabeleceu medidas de contenção de despesas.
O decreto aponta, entre os principais fatores da crise, o bloqueio judicial de R$ 19,7 milhões referentes a precatórios, além de restrições orçamentárias e insuficiência de caixa para manutenção dos serviços públicos essenciais.
Críticas à condução da crise
Na avaliação de Wanderley Cerqueira, a atual situação confirma os alertas que ele vinha fazendo ao longo do ano. O presidente da Câmara também rebate interpretações de que o Legislativo teria responsabilidade pela crise financeira enfrentada pelo município.
“O papel da Câmara sempre foi fiscalizar e alertar. Nós fizemos isso. Não é correto atribuir ao Legislativo uma responsabilidade que decorre da gestão financeira do Executivo”, afirmou.
Debate sobre a Câmara
O tema ganhou força após a Prefeitura encaminhar pedido de reconhecimento da calamidade financeira à Câmara Municipal para fins de aplicação dos efeitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Aliados do presidente sustentam que os alertas feitos por Wanderley Cerqueira não foram considerados pela administração municipal. Já a Prefeitura argumenta que as medidas adotadas agora são necessárias para preservar a continuidade dos serviços essenciais e recuperar o equilíbrio das contas públicas.
Formação técnica
Wanderley Cerqueira tem destacado sua formação como contador e auditor público para justificar as advertências feitas anteriormente sobre a situação fiscal do município. Segundo ele, a combinação de despesas elevadas, contratos e compromissos financeiros poderia levar Várzea Grande a uma situação de forte restrição orçamentária.
Com a declaração oficial de calamidade financeira pela Prefeitura, o debate entre Executivo e Legislativo tende a se intensificar nos próximos dias, especialmente em torno do reconhecimento formal da crise pela Câmara Municipal e das medidas de recuperação fiscal propostas pela gestão.





















