SAÚDE PÚBLICA

Pacientes com HIV enfrentam falta de exames e descaso estrutural em unidade de saúde de VG

Gerente da unidade chegou a comprar insumos com recursos próprios para não interromper atendimento

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Pacientes em tratamento contra o HIV em Várzea Grande enfrentam sérias dificuldades para acompanhar a evolução da doença. O Serviço de Assistência Especializada (SAE), responsável pela realização dos exames de carga viral — essenciais para o controle da infecção — está, desde dezembro de 2024, sem os tubos necessários para coleta de sangue.

Segundo denúncia feita ao  VG Notícias, a situação é tão grave que a própria gerente da unidade estaria adquirindo os tubos com recursos próprios para atender casos novos. “Ela já chegou a comprar 100 tubos em um mês. Disse que não podia deixar os pacientes sem atendimento, mas agora nem isso está sendo suficiente”, relatou uma fonte que acompanhou um colega recém-diagnosticado com HIV.

Além da falta de materiais de coleta, as condições da estrutura da unidade também chamam atenção. O denunciante relatou que o local apresenta goteiras na recepção, infiltrações no teto e mofo nas paredes da sala da assistente social. “É um cenário de total descaso. Tem água pingando do teto, mofo nas paredes… É um lugar que deveria acolher, mas parece abandonado”, descreveu a fonte.

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O exame de carga viral é fundamental para o início e o acompanhamento do tratamento com antirretrovirais. O protocolo prevê que o paciente realize o exame inicialmente para definição da medicação e, posteriormente, o repita a cada três ou seis meses, a depender da resposta ao tratamento. Sem a realização do exame, o monitoramento da doença fica comprometido, colocando vidas em risco.

A equipe do SAE informou que pacientes já em tratamento precisam ligar semanalmente para saber se os insumos chegaram, sem qualquer previsão concreta de normalização da situação. “Estamos há mais de quatro meses sem material. É inadmissível. Isso deveria ser denunciado ao Ministério Público. É uma questão de saúde pública”, completou a fonte, sob anonimato por medo de represálias.

A crise no SAE de Várzea Grande remete a um problema recente ocorrido em Cuiabá, onde pacientes também ficaram sem o exame de carga viral por cerca de três meses. Na Capital, após denúncia na imprensa, os materiais foram enviados, mas ainda com demanda acumulada.

Outro lado –  A Secretaria Municipal de Saúde informou que a Unidade de Saúde (Serviço de Assistência Especializada – SAE) está temporariamente sem um material específico para coleta de exames, em razão da indisponibilidade do item em todo o Estado. Fornecedores de outras localidades também já foram acionados, mas o insumo permanece em falta.

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