Pela primeira vez em 14 meses de gestão, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), admitiu publicamente que não tem voz ativa sobre o Departamento de Água e Esgoto (DAE). A declaração foi feita durante entrevista em rádio nesta semana e escancarou de vez a crise interna na administração municipal.
Segundo a própria prefeita, quem de fato dá as cartas na autarquia é o vice-prefeito Tião da Zaeli. Apesar disso, ela afirmou que todo o desgaste político da má gestão do DAE recai exclusivamente sobre seus ombros.
A fala mais contundente veio em tom de ultimato:
“Levo todo desgaste sim. Mas estou dizendo hoje, determinei que a partir de hoje (10/02). Eu já falei, 2026 é outra Flávia, é outra prefeita. Eu não vou. Se hoje a culpa do DAE tão jogando a culpa em cima de mim, então me entrega a chave do DAE”.
A declaração foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao presidente do DAE, Zilmar Dias, para que peça demissão imediatamente.
Para aumentar a pressão e demonstrar que está disposta a ir até o fim, Flávia exonerou na segunda-feira (16) sua assessora e braço-direito, Márcia Alessandra. O gesto político atinge também o suplente Samir Japonês (PL), marido da exonerada, mostrando que a prefeita decidiu mexer nas peças do próprio tabuleiro para forçar mudanças na autarquia.
A entrevista marcou um divisor de águas na gestão. Ao admitir publicamente que não controla um dos principais gargalos da cidade, a prefeita também assume o risco de fragilizar ainda mais sua autoridade política.
Se antes o embate era tratado nos bastidores, agora virou público — e com prazo de validade. A frase “2026 é outra Flávia” sinaliza que o tom conciliador pode ter ficado para trás.


























