O líder do governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dilmar Dal Bosco (União), afirmou que o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar contratos de empréstimos e cartões consignados envolvendo servidores públicos deve encontrar dificuldades para avançar no Parlamento estadual.
Em entrevista ao GD, o parlamentar argumentou que a abertura de uma investigação pela Assembleia poderia se tornar redundante diante dos trabalhos já realizados por órgãos de controle, como Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público.
Segundo Dilmar, a Casa de Leis pode contribuir com o compartilhamento de informações e documentos, mas não haveria necessidade de criar uma estrutura paralela de investigação.
“É um direito do parlamento. Agora, você viu que teve uma operação da Polícia Federal. Nós vamos abrir uma CPI para quê? Para entregar para a Polícia Federal, que já tem toda a investigação? Vamos entregar para a Polícia Civil, que já está investigando? Para o Ministério Público, que já está? O que nós vamos contribuir? Nós podemos pedir informações, pedir dados, para ajudar eles, se eles não tiverem acesso.”
O deputado também citou o calendário político como um fator que pode dificultar o funcionamento de uma eventual comissão. De acordo com ele, a proximidade do período de recesso parlamentar e das articulações eleitorais pode comprometer a dedicação dos parlamentares aos trabalhos investigativos.
“O momento é que está todo mundo indo para o recesso e todo mundo vai para a campanha, pelo que eu sei. Não vão ter tempo de se dedicar ao que seria o dia a dia de uma apuração, de investigação, de estar atrás, correndo. Então, já meio que nasce morta.”
Questionado sobre a possibilidade de a CPI não ser aprovada, Dilmar respondeu de forma objetiva: “Eu acho que não.”
O pedido de criação da CPI dos Consignados começou a ganhar apoio na Assembleia na última semana. A iniciativa é encabeçada pelos deputados Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT), Wilson Santos (PSD) e Janaina Riva (MDB).
A proposta busca investigar a atuação do Governo de Mato Grosso na ampliação da oferta de empréstimos consignados aos servidores públicos, principalmente nas modalidades de cartão de crédito consignado e cartão-benefício, além de analisar possíveis responsabilidades do Executivo na regulamentação desses contratos.
Parlamentares da oposição defendem que a investigação ganhou ainda mais relevância após as apurações envolvendo o Banco Master, citadas em reportagens de alcance nacional, e afirmam que a Assembleia deve realizar uma apuração própria sobre o caso.






















