O consumo da tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil, registrou um crescimento expressivo no Brasil em 2024. Segundo dados do setor farmacêutico, mais de 64 milhões de unidades foram comercializadas neste ano, número que representa recorde histórico no país. O aumento coincide com a proximidade do Dia dos Namorados, uma das datas de maior apelo emocional e comercial do calendário brasileiro.
Apesar de ter uso seguro quando prescrito por especialistas, a popularização da substância entre homens sem diagnóstico médico tem preocupado a comunidade médica. Vendida sem exigência de receita no Brasil, a tadalafila vem sendo usada de forma indiscriminada por jovens e adultos saudáveis, em busca de maior desempenho sexual — o que pode gerar efeitos colaterais e até dependência psicológica.
“A pessoa começa a associar o bom desempenho exclusivamente ao uso do medicamento, mesmo sem precisar dele. Isso cria uma dependência emocional perigosa”, alerta o médico Werley Peres.
Riscos e efeitos colaterais
Entre os efeitos adversos mais comuns estão dor de cabeça, rubor facial, congestão nasal e dores musculares. A preocupação aumenta quando o medicamento é associado a outras substâncias, como os nitratos usados no tratamento de doenças cardíacas. Essa combinação pode provocar quedas bruscas na pressão arterial, com risco à vida.
Além disso, o uso da tadalafila por pessoas com função erétil normal não traz benefícios comprovados e pode resultar em problemas de autoestima, ansiedade e frustrações sexuais futuras.

Indicação médica é essencial
A tadalafila tem uso aprovado para três condições clínicas específicas: disfunção erétil, sintomas urinários decorrentes da hiperplasia benigna da próstata e hipertensão pulmonar — neste último caso, sob prescrição e acompanhamento de pneumologista.
“Quem busca melhorar o desempenho sexual ou a disposição deve procurar orientação profissional com um médico, seja urologista, clínico geral ou médico de família. Esses profissionais podem indicar alternativas seguras e eficazes, de acordo com o perfil de cada paciente”, orienta Peres.
Crescimento de vendas preocupa setor de saúde
A venda de medicamentos para disfunção erétil no Brasil é hoje 20 vezes maior do que há uma década. Em contraste, países como Estados Unidos e nações da Europa exigem receita médica para a compra da substância, o que limita o uso indiscriminado.
Com a chegada do Dia dos Namorados, médico reforça o alerta.
“A automedicação não é solução para insegurança ou pressão social. O uso de qualquer medicamento deve ser feito com responsabilidade e apenas quando houver real necessidade clínica”, finaliza o médico.



























