A atuação da Prefeitura voltou a ser alvo de críticas após a tentativa de retirada de um comerciante ambulante que há mais de cinco anos mantém um ponto de venda de espetinhos em frente ao supermercado localizado no bairro Ipase. A medida gerou revolta entre moradores e frequentadores da praça, que afirmam ver no trabalhador um exemplo de cuidado e zelo com o espaço público.
Segundo relatos da própria comunidade, o ambulante sempre manteve o local limpo, organizado e iluminado, contribuindo inclusive para a sensação de segurança na região durante o período noturno. Clientes afirmam que o ponto se tornou referência gastronômica e de convivência no bairro ao longo dos anos.
Além do impacto social, a possível retirada também preocupa pelo efeito econômico. Mais de 15 famílias dependem diretamente da renda gerada pelo espetinho, seja com o trabalho na banca, no fornecimento de insumos ou em serviços ligados ao funcionamento do ponto. Para os envolvidos, a medida representa risco real de perda de sustento.
Mesmo com esse histórico, a gestão municipal indeferiu o pedido de alvará para regularização da atividade, alegando irregularidades na ocupação do espaço público. A decisão foi interpretada por populares como desproporcional e insensível, principalmente diante do tempo de funcionamento do comércio e da ausência de alternativas apresentadas ao trabalhador.
Moradores e comerciantes afirmam que a Prefeitura de Várzea Grande tem adotado postura contrária aos pequenos empreendedores e vendedores ambulantes. As críticas apontam que existe, na prática, uma régua diferente na aplicação das regras, já que a mesma legislação deveria valer para todos. Segundo eles, hoje não é isso que acontece na gestão da prefeita Flávia Moretti, onde alguns são alvos frequentes de fiscalização enquanto outras situações semelhantes seguem sem a mesma rigidez.
“Ele nunca trouxe problema pra praça, pelo contrário, sempre cuidou daqui. Se tirarem, vai ficar abandonado”, relatou Islaine Christine.
Outros frequentadores também saíram em defesa do trabalhador e aproveitaram para criticar a condução da administração municipal em outras áreas.
“A prefeitura devia se preocupar primeiro com os bairros que estão alagados. Faltou limpeza de bueiro, faltou prevenção. Agora querem tirar quem trabalha”, afirmou o Sr Francisco comerciante da região..
As críticas fazem referência aos recentes pontos de alagamento registrados em diferentes bairros do município, situação que, segundo moradores, poderia ter sido amenizada com ações preventivas de limpeza urbana e desobstrução de galerias pluviais.
A situação reacende o debate sobre a política de ordenamento urbano adotada pela atual gestão, acusada por críticos de agir com dureza contra pequenos empreendedores, mas sem a mesma eficiência em outras frentes da administração pública.
Outro lado.
Até o momento, a Prefeitura não apresentou plano de realocação nem proposta de regularização alternativa para o ambulante, o que aumenta a tensão entre o poder público e a comunidade.



























