A discussão sobre o fim da escala 6×1 pode ganhar novo peso na disputa pela Presidência da República após o primeiro turno das eleições. A proposta que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais está prevista para ser analisada pelo Senado nesta terça-feira (6), em meio à reta decisiva da campanha.
A avaliação é do historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, professor da Universidade Sorbonne, em Paris. Para ele, a votação pode se transformar em um dos principais temas políticos entre o primeiro e o segundo turno.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, com ampla maioria. No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários. Desde então, porém, a tramitação no Senado ficou paralisada.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou na semana passada que o texto seria colocado em votação nesta terça-feira. Na avaliação de Alencastro, no entanto, o resultado das eleições pode alterar o cenário.
O projeto tem forte apoio popular. Pesquisa Quaest realizada em maio apontou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1.
Para o cientista político, uma eventual derrota da proposta no Senado poderia ser explorada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha do segundo turno. A estratégia seria atribuir à oposição e ao Congresso a responsabilidade pela rejeição de uma medida apoiada pela maioria da população. “Lula pode sair a campo agora pela defesa do fim da escala 6×1”, avaliou Alencastro à BBC News Brasil.
O cenário também pode levar Alcolumbre a retirar a proposta da pauta, segundo a análise. A avaliação é de que uma aprovação ou rejeição do projeto às vésperas do segundo turno poderia produzir efeitos eleitorais para os dois lados.
A proposta de redução da jornada se tornou um dos principais temas trabalhistas em discussão no Congresso desde 2025. Além do fim da escala 6×1, o texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Disputa no segundo turno
A pauta chega ao Senado justamente no intervalo entre os dois turnos da eleição presidencial. O resultado das urnas de domingo (4) colocou Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.
Com o tema tendo ampla aprovação popular, o fim da escala 6×1 pode se transformar em uma bandeira eleitoral importante nas próximas semanas — especialmente na tentativa de cada candidato de associar a proposta ao seu campo político.
(Com informações BBC News Brasil)

























