Proprietária da Clinica de Estética Fábrica dos Glúteos, Poliana Rodrigues da Silva foi identificada como a enfermeira presa nesta sexta-feira (24) pela Delegacia do Consumidor. A clínica é localizada no bairro Jardim Europa, em Cuiabá.
Em sua página no Instagram, a enfermeira possui mais de 440 mil seguidores. Apesar de poucas postagens, ela expõe seus procedimentos com as seguintes hashtags: botox, preenchimento labial, corrente russa corporal e bumbum na nuca.
Segundo a Polícia Civil, a enfermeira e empresária é investigada pelos crimes de exercício ilegal da medicina e crimes contra a saúde pública. A apuração dos agentes identificaram que ela realizava procedimentos invasivos e utilizava medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Durante fiscalizações conjuntas, as equipes identificaram a realização de procedimentos como aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ozonioterapia e soroterapia — práticas consideradas privativas de médicos — executadas pela suspeita, que é enfermeira de formação.
APREENSÕES
No local, também foram apreendidos medicamentos vencidos, produtos importados sem registro no Brasil e substâncias proibidas pela Anvisa, incluindo toxina botulínica de fabricação sul-coreana e outros fármacos usados de forma irregular. Parte dos materiais, segundo a investigação, teria sido trazida ilegalmente ao país e estava armazenada em condições inadequadas.
As fiscalizações ainda constataram que a clínica funcionava sem alvará sanitário, sem controle adequado de resíduos e sem estrutura mínima de biossegurança. “As fiscalizações também evidenciaram que a clínica funcionava sem alvará sanitário, sem controle adequado de resíduos e sem condições mínimas de biossegurança, expondo pacientes a riscos de contaminação por doenças graves”, afirmou o delegado titular da Decon, Rogério Ferreira.
Segundo o delegado, a manipulação de sangue em ambiente inadequado, especialmente nos procedimentos de PRP, elevava o risco de contaminação cruzada, infecções severas, necroses e até morte.
FUNCIONAMENTO CLANDESTINO
Mesmo após a interdição do estabelecimento, a investigada teria continuado atuando clandestinamente. Conforme a polícia, ela retirou equipamentos da clínica durante a noite e passou a atender pacientes em outros endereços, inclusive em espaços não regularizados. Também tentou abrir uma nova unidade, com outro nome, no mesmo bairro, sem autorização dos órgãos competentes.
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou medidas cautelares como mandado de busca e apreensão, interdição imediata da clínica, suspensão do CNPJ da empresa, bloqueio das redes sociais da investigada e suspensão do registro profissional dela junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT).
A enfermeira já possuía passagem pela polícia por tráfico de drogas e usava tornozeleira eletrônica no momento da prisão.
Segundo Rogério Ferreira, as investigações seguem em andamento e outros profissionais da área de estética que atuarem ilegalmente ou utilizarem medicamentos irregulares, especialmente produtos voltados para emagrecimento, poderão ser alvo de novas operações, inclusive com pedidos de prisão preventiva.


























