O biomédico Igor Phelipe Gardes Ferraz, sócio da clínica Bioseg Saúde e Segurança do Trabalho, preso nesta sexta-feira (15), no âmbito da Operação Contraprova, da Polícia Civil de Mato Grosso, ocupava um cargo comissionado como assessor parlamentar externo na Câmara Municipal de Cuiabá, vinculado ao gabinete do vereador Gustavo Padilha (PSB). Conforme dados do Portal da Transparência, Igor foi nomeado em junho deste ano, com salário bruto de R$ 2.670,27. A presidente da Câmara, vereadora Paula Calil (PL), informou que a Casa Legislativa tomou providências imediatas após ser notificada da prisão do servidor.
“Providenciamos a exoneração desse servidor de imediato. Assim que fomos informados, entramos em contato com o vereador responsável, que também foi pego de surpresa”, afirmou Paula.
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) revelou um esquema de fraudes envolvendo a Bioseg, que possui unidades em Cuiabá, Sinop e Sorriso. A empresa prestava serviços laboratoriais para órgãos públicos e instituições privadas, mas, de acordo com a polícia, os exames não eram realizados de fato.
As amostras biológicas coletadas dos pacientes eram descartadas sem qualquer análise, e os laudos entregues eram falsificados. Os crimes envolvem exames de diversas naturezas, como testes de covid-19, HIV, sífilis, hepatites, toxicológicos e análises de pacientes em home care. O próprio Igor Ferraz, biomédico e responsável técnico, seria o autor das falsificações.
A presidente da Câmara reiterou que a nomeação de assessores é de competência exclusiva dos vereadores, e que, no momento da contratação, toda a documentação apresentada por Igor estava regular.
“É importante frisar que a documentação do servidor estava regular. Infelizmente, não havia qualquer indicativo prévio que pudesse levantar suspeitas sobre sua conduta”, explicou Paula Calil.
A exoneração será publicada ainda hoje na Gazeta Municipal. Até o momento, o vereador Gustavo Padilha, responsável pelo gabinete ao qual Igor estava lotado, não se pronunciou sobre o caso.
Crimes e penas
Os investigados na Operação Contraprova podem responder por crimes como falsidade ideológica, estelionato, crime contra a saúde pública, associação criminosa e outras infrações penais. A soma das penas pode ultrapassar 25 anos de prisão.
A Polícia Civil alerta que pacientes que tenham realizado exames na Bioseg devem procurar a Decon ou o Ministério Público para verificar a autenticidade dos resultados e obter orientação jurídica.



























