O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), negou que tenha orientado empresários a demitir funcionários que não compartilham de sua linha ideológica. Segundo ele, houve apenas uma “sugestão”. Ainda assim, afirmou que, se fosse dono de uma empresa, contrataria apenas pessoas que pensam como ele e priorizaria colaboradores que compartilham do mesmo posicionamento político.
A declaração ocorre após críticas do governador Mauro Mendes (União Brasil), que afirmou ser inadmissível que brasileiros sejam discriminados por divergência de opinião. Mendes afirmou respeitar quem pensa diferente e declarou que, nem em sua empresa nem no governo de Mato Grosso, alguém seria demitido por ser “de direita ou de esquerda”, reforçando que radicalismos não contribuem para o país.
Questionado sobre o posicionamento do governador, Abilio respondeu que desligamentos motivados por divergência ideológica são mais comuns do que se imagina, especialmente em cargos de confiança no setor público. Ele citou episódios envolvendo o governo federal e a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), em que, segundo ele, servidores teriam sido exonerados por aparecerem em fotos ao seu lado.
Para o prefeito, a legislação já estabelece que cargos de confiança dependem de alinhamento e lealdade. Abilio afirmou que não se deve acreditar que somente pessoas de um campo político executam bem determinadas funções, afirmando existirem profissionais qualificados “na direita, na esquerda e em qualquer posição política”. Entretanto, reforçou que o viés ideológico é determinante para definir os rumos de uma gestão.
A discussão ganhou força após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), efetuada pela Polícia Federal depois de ele tentar romper a tornozeleira eletrônica. Abilio, aliado histórico do ex-presidente, criticou manifestações de comemoração por parte de setores da esquerda e disse que empresários não deveriam confrontar diretamente funcionários que agem contra seus valores.
Segundo ele, um trabalhador pode alegar perseguição ideológica na Justiça. Por isso, afirmou que o empresário deveria “esperar o momento certo” e, caso o funcionário “tropece”, efetivar a demissão.


























