A crise na Educação de Várzea Grande ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (29) após a Prefeitura suspender, temporariamente, a alimentação destinada aos professores e demais servidores da rede municipal de ensino. A decisão ocorre após o incêndio que atingiu o Centro de Distribuição de Alimentação Escolar e outros espaços da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel), mas chama atenção por ocorrer poucos meses depois de a própria prefeita Flávia Moretti (PL) sancionar uma lei municipal que autorizava o fornecimento gratuito da merenda aos profissionais da Educação.
Em comunicado oficial, a prefeitura informou que a suspensão ocorre “em razão do incêndio que atingiu o Centro de Distribuição de Alimentação Escolar e do decreto de Calamidade Administrativa no âmbito da Secretaria Municipal de Educação”. Segundo a gestão, a medida é provisória e tem como objetivo preservar o abastecimento da rede municipal e garantir a continuidade da alimentação dos estudantes.
“Embora exista uma lei municipal que autoriza o fornecimento de alimentação escolar aos profissionais de educação no exercício de suas funções, a prioridade da gestão, neste momento, é garantir a continuidade do atendimento aos estudantes e preservar o abastecimento da rede municipal de ensino”, informou a administração.
A prefeitura também afirmou que será necessário reduzir o consumo dos gêneros alimentícios até a conclusão de um novo processo licitatório e a regularização dos estoques.
“Diante do cenário atual, será necessário reduzir o consumo dos gêneros alimentícios até a conclusão do novo processo licitatório (pregão) e a regularização do estoque, assegurando a manutenção da alimentação escolar dos alunos. Contamos com a compreensão e a colaboração de todos neste período excepcional”, diz o comunicado.
A suspensão ocorre após a sanção da Lei nº 5.471/2026, de autoria do vereador Charles da Educação (União), que permitia aos professores e demais profissionais da rede pública municipal consumirem a merenda escolar durante o exercício das funções. A norma estabelecia que os servidores teriam acesso ao mesmo cardápio oferecido aos alunos, no mesmo espaço de refeição, sem qualquer desconto salarial ou substituição do vale-alimentação.
O incêndio nos depósitos da Secretaria de Educação provocou um prejuízo estimado em R$ 14,9 milhões aos cofres públicos, conforme levantamento realizado pela própria administração municipal. Entre os materiais destruídos estavam livros, brinquedos, cadeiras, colchonetes, aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, freezers e parquinhos destinados às unidades da rede municipal, incluindo escolas que estavam próximas de serem inauguradas.
A Prefeitura de Várzea Grande afirma que, assim que a situação for normalizada e houver condições de retomar o fornecimento aos servidores, uma nova comunicação será realizada. A gestão também tem cobrado apoio do Governo do Estado para auxiliar na recuperação financeira do município.



















