Caçador de marajás

De presidente a réu – Collor deixa prisão e cumpre pena em casa após decisão do STF

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Do “caçador de marajás” ao réu condenado: o fim melancólico de Fernando Collor

Depois de uma trajetória marcada por ascensão meteórica, impeachment e anos de vida pública, Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República, agora cumpre pena em regime domiciliar. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levou em conta o estado de saúde do político de 75 anos, diagnosticado com Parkinson, transtorno bipolar e outras comorbidades.

Collor foi condenado em 2023 a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, após investigação da Lava Jato que apontou o envolvimento do então senador em um esquema de desvios milionários na BR Distribuidora.

Na última sexta-feira (26), Collor havia se apresentado à Polícia Federal em Maceió, onde passou cinco dias detido em uma cela especial. No entanto, com a apresentação de mais de 130 exames médicos pela defesa, o ministro Moraes considerou a prisão domiciliar mais adequada. A decisão veio acompanhada de medidas restritivas: tornozeleira eletrônica, proibição de deixar o país e limitação de visitas.

“A sua grave situação de saúde, amplamente comprovada nos autos, sua idade – 75 anos – e a necessidade de tratamento específico admitem a concessão de prisão domiciliar humanitária”, escreveu Moraes.

A defesa ainda tentou, sem sucesso, anular a pena alegando prescrição, tese já rechaçada pelo plenário do Supremo.

📆 Linha do tempo da trajetória política de Fernando Collor


🏛️ 1979–1982 | Início na política

  • 1979: Assume a presidência da Caixa Econômica Federal durante o governo Figueiredo (regime militar).

  • 1982: Eleito deputado federal por Alagoas pelo PDS.

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🏛️ 1986–1989 | Ascensão como “caçador de marajás”

  • 1986: Eleito governador de Alagoas pelo PMDB.

  • Ganha notoriedade nacional ao promover cortes em salários de servidores de alto escalão, criando a imagem de reformador.


🏆 1989 | Eleito presidente da República

  • 1989: Vence a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, derrotando Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

  • Assumiu o governo em março de 1990, aos 40 anos — o mais jovem presidente do Brasil até então.


💸 1990–1992 | Governo marcado por crises e denúncias

  • Implanta o controverso Plano Collor, que confiscou a poupança dos brasileiros para conter a hiperinflação.

  • Em 1992, seu irmão, Pedro Collor, o acusa publicamente de envolvimento em corrupção.

  • A CPI do Congresso e as denúncias ligadas a Paulo César Farias (tesoureiro de campanha) culminam em processo de impeachment.


🧑‍⚖️ 1992 | Impeachment

  • 29 de setembro de 1992: Câmara dos Deputados aprova impeachment.

  • 2 de outubro de 1992: Collor renuncia minutos antes da votação do Senado, tentando evitar a cassação.

  • Mesmo com a renúncia, o Senado o considera inelegível por oito anos.


🕊️ 2000 | Retorno à política

  • Após o fim do período de inelegibilidade, tenta voltar à política:

    • 2000: Derrotado na eleição para a prefeitura de São Paulo.

    • 2002: Eleito senador por Alagoas pelo PRTB.

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🧾 2007–2018 | Senador com atuação discreta

  • Atua no Senado com baixa visibilidade nacional, mas mantendo influência regional.

  • 2010: Reeleito senador.

  • 2018: Derrotado ao tentar novo mandato.

  • 2022: Perde eleição para o governo de Alagoas.


⚖️ 2015–2023 | Envolvimento na Lava Jato

  • 2015: Nome aparece em delações da Operação Lava Jato.

  • 2017: Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por envolvimento em esquema na BR Distribuidora.

  • 2022: Supremo aceita denúncia, e Collor vira réu.

  • 2023: Condenado pelo STF a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.


🚨 2025 | Prisão e domiciliar

  • 26 de abril de 2025: Começa a cumprir pena em regime fechado, após esgotamento de recursos.

  • 1º de maio de 2025: Ministro Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar humanitária devido à idade (75 anos) e doenças crônicas, como Parkinson e transtorno bipolar.

Um fim simbólico

     O ex-presidente Fernando Collor, que nos anos 1990 subiu ao poder com a imagem do implacável “caçador de marajás”, viu sua trajetória terminar de forma simbólica: condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, acabou preso e, por fim, autorizado a cumprir pena em casa por motivos de saúde. De símbolo da moralização ao colapso ético, Collor encerra a carreira política envolto no mesmo sistema que prometeu combater.

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