Gratuidade no transporte é o presente. A precariedade é o bolo.
Nesta quinta-feira (15), Várzea Grande apagou as velinhas dos seus 158 anos, mas o que se viu no Terminal André Maggi foi um retrato melancólico da cidade: movimento mais leve, estrutura pesada de decadência, e promessas que continuam viajando sem destino.

A prefeitura decretou gratuidade no transporte público para marcar a data, mas quem depende do sistema não tá muito no clima de festa. Banheiros quebrados, cobertura caindo aos pedaços, bancos improvisados e nada de melhorias reais.
“Infraestrutura tá um caos”, dispara moradora
A moradora Ana Maria, enquanto esperava o ônibus para Cuiabá, desabafou com um balde de sinceridade:
“Falar de Várzea Grande é complicado. Por ser uma prefeita nova, estamos dando uma perdoadinha. Mas já passou da hora de começar a mostrar serviço.”
Ana faz tratamento oncológico e deixou claro que o caos da saúde pública também pesa:
“Aqui, pra fazer um exame de sangue é um sufoco. Agendamento demorado, falta de estrutura. A prefeita precisa apertar o cinto — ou vai perder a direção.”
BRT: a promessa que só anda no PowerPoint
Prometem o novo sistema de transporte BRT, mas o terminal segue igualzinho — sem reforma, sem prazo e sem vergonha na cara. O que era pra ser símbolo de progresso continua sendo retrato da enrolação.
Ambulantes temem ser chutados com a desculpa de ‘revitalização’
Enquanto isso, o espaço é o ganha-pão de muitos. O comerciante Seo José, que vende frutas e produtos da agricultura familiar, teme que, com a chegada do BRT, os ambulantes sejam varridos como sujeira de obra.
“A gente tá aqui todo dia. Se tirarem a gente, vão tirar o sustento.”
Moral da história?
Várzea Grande fez 158 anos com pompa no papel, mas nas ruas o presente foi amargo. A população até tenta dar um voto de confiança à prefeita, mas já começa a sussurrar o que ninguém quer ouvir em voz alta: ‘ou anda, ou desce’.
Enquanto isso, seguimos com o terminal do jeito que tá: cheio de promessa, vazio de ação.


























