O preço do etanol mudou quatro vezes só nas últimas semanas. Foram R$ 3,99, depois R$ 4,29, caiu para R$ 3,75 e voltou a subir para a casa dos 4 reais — isso se não tiver mudado de novo hoje. A variação frequente nos preços assusta, mas principalmente impacta diretamente quem depende do carro para trabalhar.
E por que isso é tão importante? Porque o combustível movimenta o país. Ele garante a mobilidade urbana, o transporte de cargas, e está por trás da economia de praticamente tudo. Basta olhar ao redor: tudo que você vê foi transportado, direta ou indiretamente.
Mas quando o etanol sobe, o valor agregado aos produtos nem sempre acompanha. E é aí que entra a realidade de trabalhadores como Denilson Gino de Andrade, motorista por aplicativo há 7 anos nas ruas de Cuiabá.
“Hoje a gente ganha 30% a menos”
Segundo Deni, como é conhecido, os preços dos combustíveis sobem, mas as corridas não acompanham esse aumento.
“Os custos só vêm subindo, sabe? E a plataforma não reajusta de jeito nenhum. A gente compara as viagens de antes com as de agora e está recebendo 30% a menos. E os gastos só aumentaram. Falta interesse das plataformas em pensar no motorista. Sem a gente, o transporte não funciona”, desabafa.
“Rodava 5 horas. Hoje preciso rodar 13 pra ganhar o mesmo”
Para manter a renda de anos anteriores, o volume de trabalho aumentou consideravelmente.
“Em 2018 eu rodava quatro, cinco horas por dia. Hoje eu saio às seis da manhã e volto às sete da noite. Tudo pra tentar ganhar o que ganhava antes.”
Mesmo diante do prejuízo, Deni não pensa em entrar na Justiça contra a plataforma.
“A gente vê influenciadores do Brasil todo comentando isso. Tem gente que entra na Justiça e não consegue vitória. As empresas vêm de fora, empreendem aqui e não têm retorno real pra gente.”
Direito ou não?
Segundo o advogado Paulo Matos, as plataformas de transporte não são obrigadas a repassar os reajustes do combustível, mas precisam manter a transparência.
“O motorista pode recorrer à empresa para ver se há algum benefício ou bônus temporário. Mas, na prática, quem arca com o aumento é o trabalhador.”
Por que o etanol sobe?
Em nota, o Sindipetróleo afirmou que não monitora os preços nos postos, apenas o mercado macro. A oscilação nas bombas ocorre por concorrência entre os próprios postos, comparação com o preço da gasolina e também por fatores como exportações, tributos e políticas comerciais.
Segundo o sindicato, o consumidor tende a escolher o etanol quando ele custa até 70% do valor da gasolina. E quando isso muda, o mercado inteiro sente.
Até a publicação dessa reportagem as plataformas Uber e 99 não responderam.





























