Gestão é acusada de usar recuperação judicial para não pagar

Flavia no PodOlhar

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Trabalhadores da limpeza urbana de Várzea Grande denunciam que estão há meses sem receber salários, mesmo após a prestação regular dos serviços, em um conflito que envolve a empresa EletroConstro e a Prefeitura Municipal, que, segundo os servidores, tem utilizado argumentos jurídicos para adiar repasses e transferir o impacto financeiro às famílias.

O protesto ocorreu em frente ao Paço Municipal, onde os funcionários relataram que não receberam valores referentes aos meses de novembro e dezembro de 2024, bem como 19 dias de setembro de 2025, embora os contratos estejam vigentes e os serviços tenham sido executados ou formalmente reconhecidos pela administração pública.

O advogado Neymar Toledo afirmou que a Prefeitura se recusa a efetuar os repasses sob a alegação de que a empresa está em recuperação judicial, mas destacou que esse argumento não se sustenta, uma vez que a própria gestão municipal realizou pagamentos à mesma empresa durante todo o período em que a recuperação judicial já estava em vigor.

Segundo a defesa, sempre que houve pagamento por parte do município, os recursos foram imediatamente transferidos aos trabalhadores, o que demonstra que a empresa não reteve valores e que o bloqueio atual decorre exclusivamente da decisão administrativa da Prefeitura, não de qualquer impedimento legal imposto pelo Judiciário.

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A líder comunitária Kelly Gomes relatou que buscou diretamente a prefeita Flávia Moretti após receber apelos de trabalhadores que passaram o Natal sem recursos básicos, sendo informada de que os pagamentos só ocorreriam por determinação judicial, apesar de já existir, segundo ela, liminar autorizando o depósito dos valores.

Para os servidores e seus representantes, a conduta da gestão revela uma grave contradição administrativa: se o município pagou a empresa durante a atual gestão, reconheceu sua aptidão jurídica, e ao negar agora os repasses, transfere ilegalmente o ônus do conflito para trabalhadores que vivem exclusivamente do próprio salário, aprofundando uma crise social evitável.

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