Mudança?

Mais cargos, menos coerência: o inchaço silencioso na máquina pública de Várzea Grande

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Em pleno 2025, enquanto a população de Várzea Grande enfrenta serviços públicos deficitários, a prefeita Flávia Moretti (PL) sanciona um projeto que caminha na contramão do discurso que a levou ao poder: o da austeridade e da eficiência administrativa. O Projeto de Lei Complementar nº 17/2025, aprovado com tranquilidade na Câmara de Vereadores, cria nada menos que 15 novos cargos comissionados no gabinete do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL).

Sob a justificativa de “reorganização administrativa”, a gestão municipal abre espaço para cargos como superintendentes, coordenadores e assessores, numa estrutura que não apresenta, ao menos publicamente, uma justificativa convincente do ponto de vista técnico ou estratégico. A medida soa ainda mais grave diante da fala da vereadora Gisa Barros (PSB), que lembrou que a folha de pagamento da prefeitura já está inflada, com impacto próximo a R$ 50 mil mensais — valor que poderia ser melhor investido em áreas essenciais como saúde e educação.

A incoerência é gritante. A mesma gestão que discursava contra “cabides de emprego” agora amplia a estrutura de um gabinete cuja função, até aqui, tem sido meramente simbólica. É difícil não enxergar neste projeto um claro favorecimento político, talvez uma tentativa de acomodar aliados e reforçar bases eleitorais, algo comum em anos pré-eleitorais.

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A aprovação quase unânime na Câmara — com exceção dos votos contrários de Gisa Barros e Caio Cordeiro (PL), além da abstenção do vereador Charles de Educação (União) — escancara o alinhamento automático de grande parte do Legislativo com o Executivo, ignorando os reais interesses da população.

Mais do que um erro administrativo, a criação desses cargos representa um sinal de alerta: o discurso de moralização da máquina pública se desfaz quando confrontado com as práticas políticas de sempre. É a velha política vestida com nova logomarca.

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