DE VOLTA AO PODER

Exonerado após escândalos, Bispo Gustavo Duarte é premiado com novo cargo na gestão Flávia Moretti

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Menos de oito meses após ser exonerado sob uma série de polêmicas, o ex-secretário de Assistência Social de Várzea Grande, Bispo Gustavo Duarte, foi reintegrado à gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). A volta ao governo ocorre longe dos holofotes, mas com um cargo estratégico e salário de mais de R$ 9 mil mensais, incluindo verba indenizatória.

A nomeação, publicada no Diário Oficial Eletrônico do Município nesta terça-feira (2), o coloca agora no gabinete do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), com cargo de Direção e Assessoramento Superior (DNS-2). A medida, no entanto, reacende velhos questionamentos sobre a condução da máquina pública e a seletividade da prefeita quanto à reputação de seus aliados.

Histórico

Duarte foi exonerado em meio a um turbilhão de crises. Entre elas, um constrangimento público protagonizado pela primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, que, durante um evento social, relembrou duramente um vídeo em que o então secretário atacava o governador Mauro Mendes (União). Na ocasião, Virginia chegou a declarar, em discurso direto ao bispo.

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“O senhor destratou meu marido, acusou-o injustamente, e agora ocupa o cargo de secretário. Isso é inaceitável”.

A tensão política gerada pela nomeação do bispo abalou a relação entre o município e o governo estadual, o que muitos apontam como um dos motivos para sua queda.

Não bastasse o embate com o Palácio Paiaguás, Duarte também foi alvo de uma operação da Polícia Federal durante as investigações sobre a disseminação de fake news nas eleições de 2022. A ação incluiu o cumprimento de mandado em sua residência, no bairro Água Limpa, onde ele discutiu com a delegada responsável, num episódio amplamente criticado.

Apesar do histórico, Duarte retornou ao círculo da prefeita como se nada tivesse acontecido. No último sábado (30), ele foi visto ao lado de Flávia Moretti durante um evento na Praça Aquidaban, onde posaram sorridentes segurando uma bandeira de Israel, gesto simbólico, mas que não passou despercebido por observadores políticos.

A decisão de trazê-lo de volta, ignorando não apenas o desgaste político anterior, mas também os indícios de envolvimento com práticas questionáveis, coloca em xeque os critérios da atual gestão para compor sua equipe. Para muitos, soa como um prêmio por lealdade política, não como uma escolha técnica ou ética.

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