Centro-Oeste continua no topo do ranking nacional em casos de feminicídio em 2024

Dados do Mapa da Segurança Pública e do Atlas da Violência 2025 mostram aumento expressivo da violência contra a mulher em Mato Grosso. Estado também teve crescimento na taxa de homicídios

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A Região Centro-Oeste registrou, em 2024, a maior taxa de feminicídios do Brasil, com 1,87 mulheres assassinadas a cada 100 mil – índice que supera a média nacional de 1,34 por 100 mil. Os dados constam no Atlas da Violência e no Mapa da Segurança Pública, divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Mato Grosso registrou um crescimento alarmante nos casos de feminicídio e violência doméstica em 2024. Segundo a Polícia Civil do estado, ao todo, foram 47 feminicídios em 2024. Entre as vítimas, 41 eram mães, o que deixou pelo menos 89 crianças órfãs. Em dois desses casos, houve mais de uma pessoa envolvida no assassinato.

Cuiabá lidera o ranking com 20 casos, seguida por Rondonópolis (16), Sinop (15) e Sorriso (15). Ao todo, de 2019 até junho de 2024, foram 257 mulheres assassinadas por feminicídio em 82 dos 142 municípios mato-grossenses.
Apesar de avanços em monitoramento e denúncia, os números revelam que a violência de gênero segue como um dos principais desafios no estado.

Somado os municípios, o estado registrou 99 mortes de mulheres por violência, sendo 52 homicídios dolosos. Somente nos dois primeiros meses deste ano já foram registradas 16 mortes violentas, destas, seis feminicídios.

Estado investe em videomonitoramento

Como parte das estratégias de enfrentamento à criminalidade, o governo estadual expandiu o programa Vigia Mais MT, que instalou mais de 7.200 câmeras de vigilância em espaços públicos e privados. A meta é alcançar 15 mil câmeras em todos os 141 municípios mato-grossenses.

O programa tem como objetivo ampliar a presença tecnológica nas ruas e dar suporte às forças de segurança na identificação de suspeitos e prevenção de crimes.

Sinais de alerta e de avanço

O aumento no número de denúncias pode ser interpretado como um reflexo da maior conscientização da população e do fortalecimento das redes de apoio. Por outro lado, o crescimento dos feminicídios e homicídios indica que ainda há muito a ser feito em termos de proteção, prevenção e combate à violência.

Enquanto políticas públicas de vigilância e denúncia se fortalecem, o desafio segue sendo garantir que esses instrumentos sejam acompanhados por respostas efetivas do Estado na proteção das vítimas e na punição dos agressores.

Feminicídios em 2025

Em 2025, já foram registrados 11 casos de feminicídios no estado. Entre eles:

Regiane

No dia 30 de janeiro uma mulher identificada como Regiane Alves da Silva, de 29 anos, foi morta a facadas pelo marido, Emival Antunes Barbosa, de 47 anos, em um bar de Confresa, a 1.160 km de Cuiabá.

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A vítima foi morta na frente das duas filhas do casal, de três e oito anos de idade. Ele e Regiane eram casados há oito anos.

Vitoria

No dia 15 de fevereiro, Vitoria Camily Carvalho Silva, de 22 anos, foi vítima de feminicídio em Várzea Grande, região metropolitana da capital, pelo ex-namorado Helder Lopes de Araújo.

O suspeito confessou o crime e disse que teria sido motivado pela vítima ter supostamente interrompido uma gravidez e por ele não aceitar o fim do relacionamento.

Numa tentativa de escapar das ameaças do ex-namorado, Vitória planejava sair do país. A irmã da vítima conta que há pouco mais de uma semana antes de ser morta, a jovem havia tirado o passaporte.

O crime aconteceu durante uma comemoração na casa da irmã de Vitoria, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, quando Helder invadiu o local armado. Ele disparou quatro vezes contra a jovem, atingindo-a no tórax e na cabeça.

Em seguida, apontou a arma para a amiga da vítima e tentou atirar, mas a pistola falhou, possibilitando que a jovem escapasse com vida.

Tainara

A jovem Tainara Raiane da Silva, 21 anos, morreu no dia 21 de feveiro, após ficar internada por 43 dias no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Ela teve o corpo incendiado pelo namorado, dia 9 de janeiro deste ano.

Segundo a Polícia Civil, Tainara foi atacada pelo namorado após uma suposta crise de ciúmes e teve o corpo incendiado por ele. O crime aconteceu na casa onde a vítima morava, em Nobres, a 151 km de Cuiabá.

Vanusa

A agente de saúde Vanusa dos Santos, de 43 anos, foi encontrada morta dentro da casa em Nova Guarita, a 667 km de Cuiabá, na noite de 23 de fevereiro. No mesmo local, também foi encontrado o corpo de Walter Aparecido Silva, de 46 anos, ao lado de uma arma de fogo.

Segundo informações da Polícia Militar, o caso foi relatado pelo filho de Vanusa, que encontrou a mãe sem vida dentro de casa. O jovem denunciou o crime em estado de desespero, afirmando que o padrasto havia matado sua mãe.

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Quitéria

Quitéria dos Santos Costa, de 29 anos, foi assassinada pela ex-namorada em uma sorveteria localizada em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, no dia 13 de maio. A suspeita e ex-namorada, Emanuelly Vitória Domingos de Oliveira, e a atual namorada dela, que teria ajudado no crime, foram presas em flagrante.

Emanuelly alegou à Polícia Civil que agiu por vingança, após supostas ameaças feitas pela vítima. Uma câmera de segurança registrou o momento em que a suspeita chega ao local e dá vários golpes de faca na vítima. Ela foi autuada em flagrante por feminicídio.

Gabrieli

Gabrieli Daniel de Moraes, de 31 anos, foi mota a tiros na noite do dia 25 de maio pelo marido, o policial militar Ricker Maximiano de Moraes, de 35 anos.

O crime aconteceu na residência do casal, localizada na Rua Paraju, ao lado da casa 83, no bairro Praeirinho, em Cuiabá. Após o crime, o suspeito fugiu do local com os filhos do casal.

A polícia foi acionada após vizinhos terem ouvido barulho de tiros vindo da residência e, logo em seguida, visualizarem o homem, que estava fardado, deixando o local com as crianças.

De acordo com o delegado do caso Edson Pick, ele deixou os filhos na casa dos avós e se entregou à polícia horas depois do crime. Ricker foi autuado em flagrante e permaneceu em silêncio.

Vânia Benini

Vânia Cristina Benini, de 38 anos, estava grávida de quatro semanas quando foi morta a facadas por Yuri Alexandre Rodrigues da Silva, de 28 anos, no dia 5 de junho, em Ribeirãozinho, a 465 km de Cuiabá. O homem foi preso em flagrante.

Yuri é gerente de uma empresa de transmissão de energia elétrica na cidade e Vânia trabalhava como vigilante no local. Segundo a polícia, ela mantinha um relacionamento extraconjugal com o suspeito e o crime pode ter sido motivado pela recusa da gestante em interromper a gravidez.

Em depoimento, ele relatou que teve um relacionamento com Vania há cerca de três meses e que os dois se encontraram aproximadamente quatro vezes. Yuri também disse à polícia que não sabia da gravidez da vítima e relatou que os dois chegaram a ter desentendimentos no ambiente de trabalho.

O suspeito do crime é casado, pai de três filhas e a esposa está grávida do quarto filho.

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