O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu prazo de 10 dias para a Prefeitura de Várzea Grande informar quais providências foram adotadas após a divulgação de um vídeo em que o diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG), Rogério de França Martins, o Rogerinho, aparece recebendo maços de dinheiro. A 1ª Promotoria de Justiça Cível também recomendou que o município instaure um procedimento administrativo para apurar a conduta do gestor e avalie a necessidade de seu afastamento durante as investigações.
A recomendação foi expedida no âmbito de um inquérito civil que busca esclarecer se os valores mostrados nas imagens têm alguma relação com o exercício do cargo, recursos públicos ou interesses de terceiros ligados ao DAE. Segundo o Ministério Público, caso sejam identificadas irregularidades, os fatos podem configurar infrações administrativas, atos de improbidade e até crimes contra a administração pública.
O vídeo analisado pela Promotoria mostra Rogerinho sentado diante de uma mesa enquanto recebe um maço de dinheiro e, posteriormente, guarda as cédulas no bolso da calça. Em outro trecho, uma sacola contendo valores em espécie é entregue ao diretor.
A investigação também levou em consideração um áudio atribuído a Rogerinho, no qual ele teria pedido apoio de vereadores e servidores da Câmara Municipal para justificar o episódio. O MP cita ainda uma investigação distinta envolvendo supostas irregularidades no DAE, relacionadas ao pagamento de produtividade a servidores e possível desvio de recursos públicos.
Para a promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello, a recomendação busca garantir que os fatos sejam devidamente esclarecidos e que eventuais responsabilidades sejam apuradas.
“A Administração Pública tem o dever de investigar toda situação que possa comprometer a legalidade, a moralidade e a confiança da população nas instituições. Nossa recomendação visa justamente garantir que os fatos sejam esclarecidos e que as providências cabíveis sejam adotadas.”
Além de informar as medidas tomadas, a Prefeitura deverá encaminhar ao Ministério Público documentos que comprovem o cumprimento da recomendação dentro do prazo de 10 dias. As informações reunidas pela Promotoria também foram encaminhadas à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), para conhecimento e eventual adoção de outras providências.
A recomendação aumenta a pressão sobre a administração da prefeita Flávia Moretti (PL), que anteriormente havia afirmado que tomaria providências administrativas sobre o caso, mas manteve Rogerinho no grupo político e, posteriormente, o colocou como líder do Executivo na Câmara Municipal.
























