A Assembleia Legislativa de Mato Grosso guarda histórias que vão muito além do trabalho técnico que sustenta o Parlamento. Entre números, processos e atendimentos, surgem trajetórias que inspiram, como a de Edson José Oliveira das Neves, o popular Edinho, servidor da Secretaria de Gestão de Pessoas. Aos 52 anos, com 38 deles dedicados à Casa, Edinho decidiu unir duas paixões: o ciclismo e a fé. O resultado? Uma jornada de bicicleta de mais de 1.400 quilômetros até o Santuário de São Miguel Arcanjo, no Paraná.
A viagem ocorreu entre os dias 1º e 12 de junho de 2025. Foram 12 dias pedalando cerca de 120 quilômetros por dia, com saídas diárias às 5h da manhã. O destino não foi escolhido ao acaso. Devoto de São Miguel Arcanjo, Edinho conta que a ideia nasceu como promessa e agradecimento pelas graças recebidas. “Consegui unir minha fé com meu amor pelo pedal. Foi uma forma de agradecer pela vida e por tudo o que Deus tem me proporcionado”, explica.
A rota começou em Cuiabá e passou por cidades como Rondonópolis (MT), Campo Grande (MS), Presidente Prudente (SP) até Bandeirantes (PR), onde fica o santuário. A altimetria elevada, o frio intenso e até uma febre alta logo no primeiro dia de viagem não o fizeram desistir. “Tive febre logo depois da Serra de São Vicente, mas fui muito bem atendido em Juscimeira. Com oração e força de vontade, consegui continuar”, relembra.
Ao lado do amigo Wanderley, conhecido como Mãozinha, Edinho seguiu pedalando com simplicidade e foco. Sem carro de apoio, os dois se alimentavam em postos de estrada e dormiam em hotéis. A preparação foi curta, cerca de um mês. A parte mais difícil, segundo ele, foi mental: “O preparo psicológico é 70%. É preciso ter disciplina e persistência todos os dias”.
O momento mais marcante? “Chegar ao Santuário foi emocionante. E mais ainda foi ver minha esposa, Sônia, e meu sobrinho nos esperando. Foi uma surpresa maravilhosa. Senti a presença forte de Deus naquele momento”. A travessia da ponte sobre o rio Paraná, com quase 13 quilômetros de extensão, também ficará na memória: “Foi tenso e lindo ao mesmo tempo”.
Durante a viagem, Edinho transformou o pedal em oração. “Rezei muitos terços. Dediquei esse tempo à espiritualidade. Tive medo de não conseguir, mas aprendi que é preciso continuar acreditando, mesmo com medo”. Ao falar sobre isso, ele evoca uma verdade simples e profunda: não existe coragem sem medo.
De volta à rotina na Assembleia, o servidor garante que a viagem mudou sua visão de mundo. “Aprendi a reclamar menos e a fazer mais. É fácil cair na queixa diária, mas temos muito pelo que agradecer”. Ele acredita que sua história pode motivar colegas servidores: “Minha aventura foi de coragem, mas só foi possível porque também tenho medo. E é isso que dá força”.
Edinho já pensa na próxima experiência: pequenas viagens no estilo bikepacking, levando toda a bagagem na bicicleta e acampando. “Daqui uns anos, quem sabe encaro outra longa jornada”.
Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal
Para quem sonha com uma aventura semelhante, ele deixa um conselho direto: “Se prepare. Tenha vontade, fé e coragem. O medo vai sempre existir, mas é ele que torna a coragem possível”.
Edinho é a prova viva de que grandes jornadas não começam com passos, mas com sonhos. E no caso dele, com pedaladas guiadas pela fé.

































