O mundo tem apenas três anos para evitar um ponto de não retorno na crise climática. O alerta foi feito pelo geógrafo Wagner Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP), com base em um novo relatório da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
Segundo o estudo, as metas climáticas atuais são insuficientes para conter o aquecimento global. Apenas 25 países atualizaram seus compromissos com base em dados recentes, e somente o Reino Unido está efetivamente alinhado com a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C, como prevê o Acordo de Paris.
“Estamos diante de impactos que antes esperávamos para 2050. A realidade já confirma os piores cenários: enchentes históricas, secas severas, ondas de calor extremo”, afirma Ribeiro. A ciência, segundo ele, vem refinando seus alertas com base em modelagens matemáticas, dados globais e inteligência artificial.
Brasil pode liderar novo pacto climático
Ribeiro destaca que o Brasil tem papel estratégico nas negociações climáticas, especialmente como sede da COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, marcada para 2025, em Belém (PA).
“Temos uma oportunidade única de liderar um novo pacto climático global. A biodiversidade brasileira, nossa matriz de energia limpa e influência internacional colocam o país em posição privilegiada — desde que haja vontade política e pressão da sociedade”, reforça.
A expectativa é que a COP30 marque uma revisão global de metas e políticas mais ambiciosas. A comunidade científica cobra ações urgentes e estruturais, como a transição energética, a proteção ambiental efetiva e a promoção da justiça climática.
“O tempo está se esgotando”, concluem os especialistas.





























