Rozeli da Costa Sousa Nunes, personal trainer de 33 anos assassinada a tiros em Várzea Grande, havia ingressado com uma ação judicial contra uma empresa pertencente ao policial militar Raylton Mourão e sua esposa, Aline Valandro Kounz. No processo, Rozeli exigia uma indenização de R$ 24,6 mil por danos materiais e morais, após se envolver em um acidente de trânsito com um caminhão-pipa da empresa Reizinho Água Potável, que, segundo os autos, operava de forma irregular.
O acidente ocorreu no dia 25 de março deste ano, na avenida Filinto Müller. De acordo com a ação, o motorista do caminhão fez uma manobra repentina e sem sinalização, invadindo a via preferencial e obrigando Rozeli a frear bruscamente. A manobra resultou em uma colisão traseira: um motociclista que seguia atrás do carro dela não conseguiu parar a tempo e bateu no veículo. O motociclista, segundo o processo, não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A defesa da personal trainer argumenta que a conduta imprudente dos dois envolvidos, o caminhoneiro e o motociclista, foi determinante para o acidente. Rozeli alegava prejuízos entre R$ 6,8 mil e R$ 9,6 mil para conserto do carro, além de solicitar R$ 15 mil por danos morais. Ainda conforme os documentos do processo, ela tentou resolver o problema amigavelmente, sem sucesso, o que a levou a recorrer à Justiça.
“Ficou claro que a autora foi vítima de negligência e imprudência por parte dos réus, o que violou regras básicas de segurança no trânsito e causou prejuízos significativos”, destaca um trecho da ação.
Execução e Operação Policial
O assassinato de Rozeli ocorreu menos de quatro meses após o acidente. Ela foi executada a tiros por volta das 6h20 da manhã da última quarta-feira, enquanto dirigia seu Renault Sandero rumo à academia onde trabalhava. Câmeras de segurança flagraram o momento em que dois homens em uma motocicleta preta se aproximaram e dispararam pelo menos quatro vezes contra o veículo.
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá investiga o caso. Como parte das diligências, foi deflagrada no sábado (13) a Operação Moeda de Sangue, com mandados de busca e apreensão contra Raylton Mourão e Aline Valandro. Embora não tenham sido encontrados em casa, o casal não é considerado foragido até o momento.
As investigações seguem em andamento, e a polícia não descarta nenhuma linha de apuração, inclusive a possível relação entre o crime e o litígio judicial envolvendo a vítima e os donos da empresa.




























