O presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen), Dejamir Souza Soares, informou que a partir desta segunda-feira (13), profissionais da Saúde em Cuiabá, incluindo médicos, odontólogos, enfermeiros, maqueiros e psicólogos, entram em estado de greve. A decisão é uma resposta à mudança administrativa que alterou a base de cálculo do adicional de insalubridade pago aos servidores.
“Hoje iremos votar o estado de greve. São quatro categorias que decidiram se mobilizar diante dessa medida que afeta diretamente as condições de trabalho. Médicos, odontólogos, enfermeiros, maqueiros e psicólogos estão entre os afetados”, afirmou Dejamir.
Durante reunião com a presidente da Câmara Municipal, Paula Calil (PL), foi sugerido que os sindicatos aguardem o prazo de 70 dias recomendado pelo Ministério Público Estadual (MPE) para a suspensão dos pagamentos do adicional. Essa suspensão, segundo a proposta, não afetaria o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Prefeitura em 2023.
Dejamir destacou que, como ainda não há comprovação oficial de corte salarial, não é possível acionar judicialmente a administração nem votar um indicativo formal de greve. “Sem essa prova, qualquer ação pode ferir a legislação e causar prejuízos, como a suspensão do prêmio saúde. Estamos agindo com cautela: por isso, votaremos o estado de greve, mas só o deflagraremos após a confirmação do pagamento e de eventuais cortes, conforme anunciado pelo prefeito Abilio Brunini (PL). Assim, o trabalhador não será penalizado com a perda de benefícios”, explicou o presidente do sindicato.
O sindicalista também criticou a atual gestão municipal, alegando falta de planejamento e cortes injustificados. “A administração alegou falta de recursos para pagar o 13º salário, mas essa decisão foi política. Antes o pagamento era feito no mês de aniversário do servidor, e isso foi modificado sem justificativa plausível. O TAC, inclusive, não trata de salário base, e sim da ausência do Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT)”, pontuou.
De acordo com Dejamir, a mudança pode resultar em perdas de até 30% na remuneração dos servidores. “Com essa redução, o trabalhador não conseguirá se manter. O impacto no bolso será muito significativo”, alertou.
Por fim, ele comentou sobre a carta enviada pelos sindicatos ao Ministério Público de Mato Grosso, que buscou demonstrar disposição para o diálogo com a gestão municipal a fim de evitar a retirada do adicional de insalubridade. “Nosso objetivo é a negociação e não o confronto, mas a categoria está unida para defender seus direitos”, concluiu.






















