Mendes culpa ‘deslizes’ de Lula e defende que Congresso negocie tarifaço

Em entrevista ao Jornal da Jovem Pan, na manhã desta segunda-feira (28), o governador de MT afirmou que o ex-presidente Donald Trump está misturando “política com economia” ao retaliar o Brasil por questões ideológicas e pessoais, mas que o governo brasileiro também “cometeu deslizes” que contribuíram para o agravamento da crise comercial

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O governador Mauro Mendes (União Brasil) apontou erros do Governo Federal como uma das causas para a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor nesta quinta-feira (1º). Em entrevista ao Jornal da Jovem Pan, na manhã desta segunda-feira (28), Mendes afirmou que o ex-presidente Donald Trump está misturando “política com economia” ao retaliar o Brasil por questões ideológicas e pessoais, mas que o governo brasileiro também “cometeu deslizes” que contribuíram para o agravamento da crise comercial.

“Temos que reconhecer que houveram alguns deslizes por parte do Governo Federal. O Trump logo no início, equivocadamente, fez esse tarifaço no Brasil. Está misturando política com economia, uma questão pessoal. Por mais que seja louvável defender um amigo, quando isso coloca em risco a economia brasileira e até mesmo o consumo americano, ele age com certo deslize”, criticou.

Segundo Mendes, críticas públicas feitas por membros do governo brasileiro, especialmente relacionadas à política cambial e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), irritaram o republicano. Ele disse ainda que dificilmente Trump recuará da decisão.

“O governo brasileiro falou algumas coisas que irritou o Trump, em relação ao dólar, críticas que saíram daqui, comentários extremamente desnecessários. Isso gerou essa situação e acredito que dificilmente ele vá recuar. Ele criou o problema. Por mais que achemos que ele esteja errado, ele é o presidente da maior economia do planeta”, afirmou.

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Congresso na linha de frente

Apesar de uma comitiva de senadores já ter viajado aos Estados Unidos para tentar negociar a revogação da medida, o governador defendeu que a articulação diplomática deveria ser liderada pelo Congresso Nacional, não pelo Executivo.

“O Trump está brigando com o Executivo, com o Judiciário… Quem não está sob a mira dos americanos? O Congresso Nacional. Então, acho que o Congresso deveria assumir essa negociação. Davi Alcolumbre, Hugo Motta, lideranças políticas têm que participar disso”, sugeriu.

Justificativas de Trump e impacto em Mato Grosso

O ex-presidente americano justificou a taxação alegando supostas censuras a redes sociais nos Estados Unidos, perseguição a Jair Bolsonaro no Brasil e desequilíbrios na balança comercial. O comunicado oficial do governo Trump prevê a entrada em vigor da taxação a partir de 1º de agosto.

Mendes afirmou que o governo de Mato Grosso já avalia os impactos da medida. Ele destacou que o setor madeireiro será um dos mais prejudicados, com empresas que dependem em até 70% da exportação para os EUA. O governador ponderou que setores como o da carne bovina, mesmo afetados, podem redirecionar os produtos para outros mercados internacionais.

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“Estamos fazendo sim uma avaliação. O setor de madeira, por exemplo, será fortemente impactado. São empresas que exportam 70% da produção, tudo de forma sustentável. O setor de carne tem alguma relevância, mas é pequeno nesse comércio com os EUA. E temos alternativas globais. O complexo soja, milho e etanol vai sofrer algum impacto também, que pode ser trabalhado a médio prazo”, afirmou.

Fim do espaço

A taxação americana se soma às incertezas nas relações comerciais entre Brasil e EUA em meio ao processo eleitoral americano. No fim da entrevista, Mendes reforçou que o Brasil precisa tratar a situação com pragmatismo, e não com ironia.

“Temos que ter capacidade de fazer esse jogo. Não com desdém, não com piadinha, como aconteceu no início”, finalizou.

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