OPERAÇÃO SHAMAR

Foge à estatística: venezuelana morta pelo 'ex' tinha medida protetiva, mas reatou romance, revela delegada

Coordenadora de núcleo da Polícia Civil que trata da violência doméstica reforça que medidas protetivas ‘salvam’ mais de 80% das vítimas, porém, muitas estão psicologicamente adoecidas e sucumbem

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venezuelana Nerbys Osmary Cabrera Kreizi, assassinada aos 33 anos pelo ex-companheiro, um homem de 32 anos, tinha medida protetiva contra ele. A mulher foi morta em Várzea Grande, na semana passada, na frente dos filhos. Ela não faz parte das estatísticas que apontam que em mais de 80% dos casos de violência contra mulher em que são adotadas medidas protetivas o ciclo é interrompido. Segundo a delegada coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar, contra Mulheres e Vulneráveis da Polícia Civil, Mariel Antonini, isso acontece porque elas estão adoecidas psicologicamente e acabam voltando para o relacionamento abusivo.

“Ela entrou pra estatística como uma vítima de feminicídio que tinha medida protetiva em vigor. Aí, vamos averiguar e, na realidade, nós constatamos com a situação de que ela tinha reatado esse relacionamento. Veja bem, é o que sempre orientamos às vítimas: nós sabemos que não é fácil romper o ciclo de violência, principalmente porque muitas vezes a mulher está adoecida psicologicamente, depende afetivamente daquele relacionamento, às vezes depende financeiramente. É uma situação complexa. Se alguém está nesse relacionamento é porque tem um sentimento ali. Então, no meio do caminho tem uma regressão e ela reata esse relacionamento”.

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A fala da delegada ocorreu em meio à coletiva de imprensa sobre o resultado da ‘Operação Shamar’, que foi deflagrada nesta terça-feira (5) para cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão contra agressores de mulheres em Cuiabá e Várzea Grande. Dez homens foram presos ao todo, além de duas armas recolhidas e aparelhos celulares e computadores que eram utilizados para chantagear e torturar as vítimas de violência doméstica.

A delegada reforçou que existe resposta estatal aos crimes contra a dignidade da mulher. Ela lembrou que, a partir da lei que entrou em vigor no ano passado, o feminicídio é o crime que tem a maior pena no Código Penal, variando de 20 a 40 anos de prisão. Também reforçou que os crimes são 100% esclarecidos pela Polícia Civil em Mato Grosso, com a maioria dos agressores presos.

Porém, a ação governamental não tem afugentado criminosos, tendo em vista que o total de feminicídios ocorridos no Estado no primeiro semestre deste ano já passou o volume do mesmo período de 2024. Além disso, Mato Grosso figura pelo segundo ano consecutivo como o estado com a maior taxa do crime no país.

O caso da venezuelana engrossa inclusive o número de crimes dessa natureza que voltou a crescer em Várzea Grande, cidade onde, em 2023, nenhum feminicídio foi registrado. Neste ano, a morte de Nerbys já é a segunda por lá, caso esse que já era de acompanhamento das autoridades policiais. O agressor foi preso porque se entregou à polícia nesta segunda-feira.

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“No caso do descumprimento, é importante que a vítima não fique com esse sentimento de que a medida protetiva é só uma folha de papel. É uma restrição judicial. É importante que ela tenha essa consciência. Não funcionou de imediato, eu vou voltar na delegacia, vou explicar o caso e as outras medidas mais gravosas serão adotadas”, reforçou a delegada.

Judah Marcondes, que é titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Cuiabá, reforçou que, todas que buscam por medida protetiva têm acesso ao botão do pânico, que deve ser acionado em um risco iminente. “Ela pode acionar o botão do pânico, imediatamente, que a primeira viatura que estiver próxima a ela irá ao local para protegê-la”.

A ação deflagrada nesta terça faz parte do Agosto Lilás, mobilização nacional para conscientização, prevenção e repressão à violência contra a mulher, inciada no dia 1º com medidas a serem adotadas até 4 de setembro.

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