Movimento estratégico do governador paulista levanta dúvidas sobre intenção de disputar a Presidência da República
O aumento expressivo do salário mínimo em São Paulo deixou lideranças do Centrão em alerta. O reajuste, anunciado no fim de abril pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), elevou o valor para R$ 1.800 – um crescimento de 40% em três anos. Para os caciques do bloco político que domina o Congresso, o gesto não é apenas um aceno à base eleitoral, mas pode sinalizar uma ambição maior: o Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a leitura é clara. Tarcísio, visto como herdeiro natural do espólio político de Jair Bolsonaro, estaria se posicionando como a principal opção da direita para 2026. Embora o governador insista publicamente que disputará a reeleição em São Paulo, poucos aliados acreditam que ele vá se contentar com um segundo mandato estadual, especialmente diante da provável inelegibilidade definitiva de Bolsonaro.
A movimentação já rendeu até uma brincadeira recorrente entre aliados: o novo salário mínimo paulista seria a “primeira peça” de campanha para uma eventual candidatura presidencial. Com o valor 18,8% acima do mínimo nacional, Tarcísio ganhou munição para uma futura comparação direta com o governo federal – leia-se Lula.
A possível entrada de Tarcísio na corrida ao Planalto, no entanto, causa certo desconforto entre aliados bolsonaristas. Há quem critique sua postura “moderada demais” e o fato de ele não assumir um papel mais ativo na defesa de Bolsonaro nos tribunais, especialmente no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ex-presidente enfrenta uma série de investigações, incluindo o inquérito do golpe.
Enquanto isso, figuras do Centrão começam a fazer cálculos. A avaliação entre parlamentares é que, caso Bolsonaro não consiga reverter sua inelegibilidade no TSE – e com uma eventual condenação à vista – Tarcísio desponta como o nome com mais viabilidade eleitoral à direita. Sua gestão em São Paulo é avaliada como eficiente, e seu perfil técnico agrada tanto ao mercado quanto a setores mais conservadores do Congresso.
O reajuste salarial em São Paulo pode parecer, à primeira vista, apenas uma política estadual. Mas no xadrez político nacional, cada movimento conta. E o último lance de Tarcísio colocou o tabuleiro em estado de atenção.



























